Neurociência
NEUROCIÊNCIA APLICADA
CLÍNICA PSICOPEDAGÓGICA:
MAPEAMENTO CEREBRAL.
Síndromes com repercussão na deficiência intelectual, distúrbios e
transtornos neuropsicológicos.
Especialista Professor
César Augusto Venâncio da Silva
Mestrando
2014
Curso Modulado
Revisão Textual
PERSPECTIVAS E AVANÇOS
Especialista Professor
César Augusto Venâncio da Silva Mestrando

NEUROCIÊNCIA APLICADA CLÍNICA PSICOPEDAGÓGICA: MAPEAMENTO CEREBRAL.
Síndromes com repercussão na deficiência intelectual, distúrbios e
transtornos neuropsicológicos.
REVISÃO
TOMO I
Especialista
Professor César Augusto Venâncio da Silva

NEUROCIÊNCIA APLICADA
CLÍNICA PSICOPEDAGÓGICA:
MAPEAMENTO CEREBRAL.
Síndromes com repercussão na deficiência intelectual, distúrbios e
transtornos neuropsicológicos.
Capítulo I
Mapeamento
Cerebral
SUMÁRIO DO
ENSAIO
1 -
Introdução.
1.1. - Mapeamento cerebral.
1.1.1 -
Psicopedagogia disciplina conexa.
1.1.2 -
Simbologia Médica.
1.1.3 -
Medicina: Interação Saúde e Educação.
1.1.3.1 -
Da Psiquiatria.
1.1.3.2 -
Neurociência: Psicopedagogia, Psiquiatria, Educação Especial, e o contexto da
Saúde Mental.
1.1.3.2.1- Importância da fenomenologia.
1.1.3.2.1.1
– Consciência e Intencionalidade.
1.1.3.2.1.2
– Teoria de James-Lange.
1.1.3.2.1.2.1
– Comparação das teorias sobre as emoções de James-Lange e Cannon-Bard.
1.1.3.2.1.2.2
– Christofredo Jakob - Nota importante.
1 -
Introdução.
O mapeamento cerebral tenta relacionar a
estrutura do cérebro com a sua função ou descobrir quais são as partes que nos
dão certas habilidades. No mapeamento das funções cerebrais, os cientistas
utilizam recursos de imagem para observarem o seu funcionamento em várias
tarefas.
1.1. -
Mapeamento cerebral.
O primeiro trabalho acadêmico do autor na introdução a neurociência se
processou empós a especialização em Psicopedagogia na Universidade Estadual
Vale do Acaraú, no Estado do Ceará, Brasil. Que versa sobre Mapeamento
Cerebral. Para entendermos o que é a Psicopedagogia, com aplicabilidade de
princípios da Neurociência acredito ser importante ir além da simples junção
dos conhecimentos oriundos da Psicologia e da Pedagogia, da Biologia e em
particular da Medicina especializada. Nos dias atuais, década 2000, ainda
ocorre com bastante frequência no senso comum, à confusão em relação aos papéis
dos profissionais existentes no mercado, com ênfase na Psico – logia, análise, “quiatria”.
1.1.1
- Psicopedagogia disciplina conexa.
Disciplina
conexas ou especializações contextualizadas dentro da Psicologia, é a visão que
muitos detêm, ainda, isto porque, em sua própria denominação Psicopedagogia
aparece “suas partes constitutivas – psicologia + pedagogia – e que oferece uma
definição reducionista a seu respeito”, como nos ensina Julia Eugenia
Gonçalves. Na realidade, a Psicopedagogia é um campo do
conhecimento que se propõe a integrar, de modo coerente, conhecimentos e
princípios de diferentes Ciências Humanas com a meta de adquirir uma ampla
compreensão sobre os variados processos inerentes ao aprender humano. Enquanto
área de conhecimento multidisciplinar interessa a Psicopedagogia compreender
como ocorrem os processos de aprendizagem e entender as possíveis dificuldades
situadas neste movimento. Para tal, faz uso da integração e síntese de vários
campos do conhecimento, tais com a Psicologia, a Psicanálise, a Filosofia, a
Psicologia Transpessoal, a Pedagogia, a Neurologia, entre outros(CÉSAR
VENÂNCIO, 2012 – Neurociências Psicobiologia Princípios Gerais Tomo i e 2013 –
Neurociência Aplicada Clínica Psicopedagógica: Introdução ao Autismo).
1.1.2 - Simbologia Médica.
O bordão
ou bastão de Esculápio ou Asclépio é um símbolo antigo, relacionado com a
astrologia e com a cura dos doentes através da medicina. Consiste de um bastão
envolvido por uma serpente. Às vezes é confundido com o caduceu de Hermes
(Mercúrio), que consiste num bastão com duas serpentes enroscadas e asas no
alto. Esculápio (em latim: Aesculapius) era o deus romano da medicina e da cura.
Foi herdado diretamente da mitologia grega, na qual tinha as mesmas
propriedades mas um nome sutilmente diferente: Asclépio (em grego: Ἀσκληπιός, transl. Asklēpiós).
Caduceu de
Asclépio ou Esculápio, o símbolo da medicina, visto aqui na bandeira da OMS.
O caduceu
de Hermes é um símbolo do comércio que costuma ser confundido com o símbolo da
medicina. O caduceu ou emblema de Hermes
(Mercúrio) é um bastão em torno do qual se entrelaçam duas serpentes e cuja
parte superior é adornada com asas. É um antigo símbolo, cuja imagem pode ser
vista na taça do rei Gudea de Lagash, 2.600 anos a.C., e sobre as tábuas de
pedra denominadas, na Índia, nagakals. Esotericamente, está associado ao
equilíbrio moral, ao caminho de iniciação e ao caminho de ascensão da energia kundalini.
Kundaliní
(em sânscrito) é uma energia física, de natureza neurológica e manifestação
sexual. O termo é feminino, deve ser sempre acentuado e com pronúncia longa no
í final. Muitos por a considerarem sagrada, grafam o nome com "K"
maiúsculo. O símbolo do caduceu é considerado como uma antiga representação
simbólica da fisiologia da Kundalini. É o poder espiritual ou físico
(dependendo da linhagem esotérica ser espiritualista ou naturalista) primordial
ou energia cósmica que jaz adormecida no Múládhára Chakra, o centro de força
situado próximo à base da coluna, e aos órgãos genitais. É a energia que
transita entre os chakras. Deriva de uma palavra em sânscrito que significa,
literalmente, "enrolada como uma cobra" ou "aquela que tem a
forma de uma serpente". É a energia
do Universo em seu aspecto Purna-Shakti, total, como potencial, sendo o
Prana-Shakti o aspecto biológico, ou físico, como calor, eletricidade, etc.
Segundo a crença, enquanto está adormecida, assemelha-se a uma chama congelada.
O "despertar" da energia divina Shakti Kundalini requer a orientação
de um mestre realizado, para que o ativamento e desenvolvimento sejam
apropriados e conduzam à meta suprema do Yoga que é o samádhi. É também tema de
estudo no campo da psicologia onde a reputam de difícil condução com a
disciplina e maturidade que são requeridas para esse intento, pois é um
conceito oriental, com outros significantes, e sem paralelos com a psicologia.
Não existem evidências científicas que corroborem as alegações da Kundalini.
A serpente
da direita é chamada Od, que representa a vida livremente dirigida; a da
esquerda Ob, vida fatal e o globo dourado no cimo Aur, que representa a luz
equilibrada. Estas duas serpentes opostas figuram forças contrárias que podem
se associar mas não se confundir. É frequentemente confundido com o símbolo da
medicina, o bordão de Esculápio ou bastão de Asclépio(A palavra
latina cādūceus é uma adaptação do grego κηρύκειον kērukeion,termo "
bastão dos heraldos", derivando do κῆρυξ kērux, termo "messengeiro,
heraldo". Liddell and Scott, Greek-English Lexicon; Stuart L. Tyson,
"The Caduceus", The Scientific Monthly, 34.6, (1932:492-98) p. 493;
Estudos de símbolos e notas, "Nos tempos modernos a figura do caduceu é
representada como símbolo do comércio, onde Mércurio é o deus do
comércio". M. Oldfield Howey, The Encircled
Serpent: A Study of Serpent Symbolism in All Countries And Ages, New York,
1955, p77).
1.1.3 - Medicina:
Interação Saúde e Educação.
A medicina
é uma das muitas áreas do conhecimento ligada à manutenção e restauração da
saúde. Ela trabalha, num sentido amplo, com a prevenção e cura das doenças humanas
e animais num contexto médico.
1.1.3.1 - Da Psiquiatria.
Psiquiatria
é uma especialidade da Medicina que lida com a prevenção, atendimento,
diagnóstico, tratamento e reabilitação das diferentes formas de sofrimentos
mentais, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, com manifestações
psicológicas severas. São exemplos: a depressão, o transtorno bipolar, a
esquizofrenia, a demência e os transtornos de ansiedade.
Psiquiatras
são médicos especializados no cuidado da saúde mental por meio do tratamento da
doença mental, através do modelo biomédico de abordagem das perturbações
psíquicas, incluindo o uso de medicamentos. Os psiquiatras e os médicos
assistentes podem realizar exames físicos, solicitar e interpretar análises
laboratoriais, eletroencefalograma (EEG) e exames como Tomografia
computadorizada (CT), Ressonância magnética (RM) e PET (Tomografia por emissão
de pósitrons). O profissional tem que avaliar o paciente em busca de problemas
médicos que possam ser a causa da perturbação mental.
1.1.3.2 - Neurociência: Psicopedagogia, Psiquiatria, Educação
Especial, e o contexto da Saúde Mental.
Ao longo
da história da psiquiatria, observa-se uma oscilação entre uma perspectiva
biológica e outra mentalista. A perspectiva biológica enfatiza explicações
calcadas no sistema nervoso central e intervenções psicofarmacológicas. Por
outro lado, a perspectiva mentalista prioriza a experiência subjetiva e
intervenções através da psicoterapia. Embora o embate entre estas duas
perspectivas esteja longe de ser resolvido, o presente livro, e-book defende
através de seu autor uma posição intermediária, privilegiando um equilíbrio e
ntre estas duas perspectivas.
Vejamos no
curso doutrinário o pensamento de autores dualistas, que propõem uma interação
entre mente e cérebro, assim como de autores monistas, que consideram o cérebro
como gerador dos processos mentais. Ao longo dos últimos anos, base 1990-2014,
discute-se, a crítica que o conhecimento de natureza subjetiva, produzido pela
psicanálise, vem sofrendo por parte de alguns neurocientistas. No projeto do
autor, para um Doutorado em Neurociência – DOUTORADO EM MEDICINA – se busca
considerar o conceito de “complementaridade”, tomando como base as
teses-teorias dos físicos quânticos Heisenberg e Bohr, como uma possível forma
de solucionar o impasse epistemológico entre psicanálise e neurociência.
BEZERRA
JR. (1994) descreve que no campo da saúde mental tem-se, no ano de 1989, dois
marcos importantes que ajudam a compreender o processo de resistência à
psiquiatria tradicional: a intervenção realizada pela Prefeitura de Santos na
Casa de Saúde Anchieta em Santos/SP - único hospital psiquiátrico privado da
região e que representava o universo manicomial - e a apresentação no Congresso
Nacional do Projeto de lei No 3.657/89, de autoria do deputado Paulo Delgado,
que previa a reestruturação da assistência psiquiátrica brasileira com a
substituição progressiva dos manicômios por “novos dispositivos de tratamento e
acolhimento”.
A
psiquiatria traz ao longo da sua história alguns marcos que nortearam o
atendimento ao doente mental, como por exemplo, a revolução de Pinel, a
introdução dos psicofármacos, o uso da psicoterapia, o desenvolvimento dos
recursos terapêuticos e de diagnóstico, entre outros. Atualmente estamos vivendo
o período de mudanças ideológicas, estruturais e políticas nas ações de saúde
mental, mais especificamente em relação à institucionalização da assistência.
Para
ilustrar alguns aspectos do debate apontado(Item 1.1.3.2)sobre as dicotomias
entre mente e cérebro, psicologia e neurociência, significado e causalidade,
apontamos algumas projeções e discussões acadêmicas de lavra de renomados
autores.
Vamos
preambular a discussão com o pensador D. H. Brendel, do Departamento de
psiquiatria da Universidade de Harvard, notorio pesquisador que fez publicar
artigo(Brendel, 2000) em que critica a posição materialista radical do filósofo
da ciência Paul Churchland, para quem o avanço das neurociências tende a
diminuir a importância da fenomenologia, podendo, mesmo, eliminá-la no futuro.
O Mestre
DH BRENDEL pontua, em contra posição, alegando que, mesmo nos casos em que a
fisiopatologia de alguns transtornos psiquiátricos é mais bem conhecida, como
as demências, ainda assim a Psicologia não pode ser dispensada. Por isso,
propõe a elaboração de construtos teóricos pluralistas, que integrem,
pragmaticamente, conceitos de natureza diversa, para melhor enfrentar os
desafios clínicos. Por outro lado, Brendel faz restrições à referida posição de
Jasper, para quem estados psicológicos significativos seriam destituídos de
poder causal. Em lugar desse paralelismo psicofísico(Ver textos interpretativos mais a frente, no livro)Brendel
defende uma posição interacionista, dado que a causalidade é essencial para o
conceito de Medicina Psicossomática. Brendel (2000) se alinha com o pensamento
do renomado eletrofisiologista John Eccles, que, com o filósofo Karl Popper,
publicou um livro clássico sobre a questão mente-cérebro (Popper e Eccles,
1977). A eles alinha-se outro neurocientista, Roger Sperry, célebre pelos
trabalhos sobre o cérebro dividido (split brain). Uma vez indagado se admitia o
fenômeno parapsicológico da psicocinese, Sperry respondeu que sim, pois
acreditava que, constantemente, a mente movia a matéria em seu próprio cérebro.
Esta perspectiva dualista, contudo, é criticada por neurocientistas igualmente
respeitados, como António Damásio (Damásio, 2003), que repudia Descartes e vai
buscar asilo no monismo de Espinosa.
Assim,
podemos sugerir que a Neurociência complementa outros seguimentos
multidisciplinar na busca de dados interativos visando a afirmação do
conhecimento científico. Neurociência e Psicopedagogia se alinha na busca de
identificação de quadros que podem operacionalizar na busca da identificação de
“distúrbios e trantornos no processo de cognição” (CESAR VENÂNCIO, 2012)
O presente
livro busca expor conexões de conhecimentos, justifica-se pois a conceituação
dos tópicos que seguem nos próximos itens.
1.1.3.2.1- Importância
da fenomenologia.
Fenomenologia(Em
grego phainesthai - aquilo que se apresenta ou que se mostra - e logos -
explicação, estudo) afirma a importância dos fenômenos da consciência, os quais
devem ser estudados em si mesmos – tudo que podemos saber do mundo resume-se a
esses fenômenos, a esses objetos ideais que existem na mente, cada um designado
por uma palavra que representa a sua essência, sua "significação". Os
objetos da Fenomenologia são dados absolutos apreendidos em intuição pura, com
o propósito de descobrir estruturas essenciais dos atos (noesis) e as entidades
objetivas que correspondem a elas (noema).
1.1.3.2.1.1 – Consciência e Intencionalidade.
Franz Brentano: mestre de Husserl.
Vivência (Erlebnis) é todo o ato psíquico; a Fenomenologia, ao
envolver o estudo de todas as vivências, tem que englobar o estudo dos objetos
das vivências, porque as vivências são intencionais e é nelas essencial a
referência a um objeto. A consciência é caracterizada pela intencionalidade,
porque ela é sempre a consciência de alguma coisa. Essa intencionalidade é a
essência da consciência que é representada pelo significado, o nome pelo qual a
consciência se dirige a cada objeto. Em
“A Psicologia de um ponto de vista empírico"- 1874 - Franz Brentano
afirma: "Podemos assim definir os fenômenos psíquicos dizendo que eles são
aqueles fenômenos os quais, precisamente por serem intencionais, contêm neles
próprios um objeto". Isto equivale afirmar, como Husserl, que os objetos
dos fenômenos psíquicos independem da existência de sua réplica exata no mundo
real porque contêm o próprio objeto. A descrição de atos mentais, assim,
envolve a descrição de seus objetos, mas somente como fenômenos e sem assumir
ou afirmar sua existência no mundo empírico. O objeto não precisa de fato
existir. Foi um uso novo do termo "intencionalidade" que antes se
aplicava apenas ao direcionamento da vontade.
Carl Stumpf.
Foi de
grande importância e de grande impacto o pensamento fenomenológico na
psicologia, na qual Franz Brentano e o alemão Carl Stumpf haviam preparado o
terreno, e na qual o psicólogo americano William James, a escola de Würzburg, e
os psicólogos da Gestalt haviam trabalhado ao longo de linhas paralelas. Este
método, e as adaptações desse método, tem sido usados para estudar diferentes
emoções, patologias, coisas tais quais separação, solidão, solidariedade, as
experiências artística e religiosa, o silêncio e a fala, percepção e o
comportamento, e assim por diante.
William
James.
Obviamente
requer um estudo mais crítico(juízo de valor), porém talves podemos sugerir a
influência não deliberada de William James na Neuroteologia. Tomando como base
uma compilação de palestras de James sobre “Teologia Natural” resultou no livro
Variedades da Experiência Religiosa, publicado em 1902. Essa obra se ocupava de
uma discussão sobre o lugar ocupado pelo sentimento religioso, frente ao
crescente materialismo científico de sua época. O interesse de James não estava
em religiões organizadas ou instituições, mas nos sentimentos e atos que cada
um experienciava em sua relação com o que considerava divino. A obra aborda a
singularidade das experiências místicas, mencionando que seu significado era
pessoal e dificilmente transferível através de linguagem.
Para
James, a experiência religiosa poderia levar a um estado de satisfação e
contentamento, além de promover uma perspectiva mais alegre e otimista do mundo
e do futuro. Por essa razão, considerou que o sentimento religioso pode ser
útil, sendo mais uma dimensão da experiência humana. James começou a
desenvolver nessa obra o sentido de verdade utilitária que seria exposto em
mais detalhes em Pragmatismo. A experiência religiosa ou mística seria
verdadeira enquanto ferramenta útil para determinados fins. Assim, o autor
defende que a religião é um fenômeno real, no sentido que seu simbolismo evoca
sentimentos e ações concretas, que não deveriam ser ignorados pela ciência.
Desde
Platão, ouvimos dizer que quanto mais calmos estivermos, mais corretas serão
nossas ações. Neste princípio está implícita a idéia de que a ação racional não
concebe interferências da emoção, que são antes de tudo perturbadoras. Assim, a
concepção dominante (platônica), nos diz que, frente a um problema, é melhor
tomar decisões baseadas na razão do que deixar que a emoção interfira. São
platônicos, por exemplo, os adeptos de uma não discussão agora sobre a questão
da redução da maioridade penal, pois o desejo de "fazer justiça a qualquer
preço", evocado por tempos de violência exacerbada e revolta contra os
adolescentes que cometem crimes hediondos, só interferiria no nosso julgamento
racional (“correto”) da questão.
William
James, simplificadamente, concebe que esta concepção subverte a visão do senso
comum segundo a qual a reação a um estímulo emocional (aumento do batimento do
coração ou a expressão de um sorriso) ocorre após a pessoa tomar consciência da
emoção que está sentindo. Ao contrário, para James e Lange, primeiro reagimos
(reações fisiológicas e comportamentais) ao estímulo emocional; o sentimento da
emoção se dá porque tomamos consciência dessas respostas emocionais. Assim, a
consciência de uma emoção ocorre após essas reações emocionais terem ocorrido.
Em outras palavras, nós não sorrimos porque estamos alegres, mas estamos
alegres porque sorrimos!
Influência
na Neurociência pode ser sentida na sua obra, Willian James propôs uma teoria
das emoções ao mesmo tempo que o fisiologista dinamarquês Carl Lange. Ambos
trabalharam independentemente e, de acordo com esta teoria, conhecida por teoria
emocional de James-Lange, os sentimentos, isto é, as sensações
subjetivas das emoções são um produto do reconhecimento do cérebro cortical das
demais reações fisiológicas e comportamentais desencadeadas no corpo por
determinado evento ambiental (o estímulo emocional). De modo resumido,
esta idéia inverte a perspectiva do senso comum segundo a qual a reação a um
estímulo emocional (aumento do batimento do coração ou a expressão de um
sorriso) ocorre após a pessoa tomar consciência da emoção que está sentindo. Ao
contrário, para James e Carl Lange, primeiro reagimos (reações fisiológicas e
comportamentais) ao estímulo emocional; o sentimento da emoção se dá porque
tomamos consciência dessas respostas emocionais. Assim, a consciência de uma
emoção ocorre após essas reações emocionais terem ocorrido. Em outras palavras, nós não
sorrimos porque estamos alegres, mas estamos alegres porque sorrimos!
Antônio
Damásio coloca no corpo a condição primeira para a ação correta, uma vez que é
para os “estados do corpo” que se direciona o sentimento. A emoção, produzida
por um elemento externo – “um sorriso, uma melodia, um aroma”, abre assim uma
“janela” pela qual o sentimento pode olhar para o próprio corpo e gerar ações
mais acertadas, uma vez que estas são orientadas pela experiência. Está
absolutamente clara a influência sobre as idéias de Damásio da teoria das
emoções proposta conjuntamente pelo psicólogo americano William James.
O
argumento de Damásio está longe de obter o consenso das evidências
psicobiológicas, aquelas extraídas dos estudos do comportamento animal e de
suas relações com o funcionamento cerebral. Por exemplo, a agressão, um
comportamento que em seres humanos pode ser motivado por raiva, é muito mais
eficaz quando acompanhada de certa frieza emocional do que quando motivada por
fortes emoções. Não raro, ouvimos relatos de assassinos psicopatas que, ao
contarem seus crimes demonstram frieza e ausência de qualquer emoção (Longe das
implicações éticas inerentes ao comportamento criminoso de um psicopata e
independentemente de ser para o bem ou para o mau, em termos biológicos, o
comportamento é tanto mais eficaz quanto mais adequado ao alcance de seus
objetivos. Assim, um comportamento, não reconhece razões éticas - um valor
compartilhado, mas apenas a sua função exclusiva para o indivíduo que se
comporta).
1.1.3.2.1.2 – Teoria de James-Lange.
No final
do século passado, William James propôs que um indivíduo, após perceber um
estímulo que, de alguma forma o afeta, sofre alterações fisiológicas
perturbadoras, como palpitações, falta de ar, angústia, etc. E é precisamente o
reconhecimento desses sintomas (pelo cérebro) que gera a emoção. Em outras
palavras, as sensações físicas são a emoção. Em 1929, Walter Cannon refutou a
teoria de James e apresentou uma outra, a qual, por sua vez, foi pouco depois
modificada por Phillip Bard.
1.1.3.2.1.2.1 – Comparação das teorias sobre as emoções de James-Lange
e Cannon-Bard.
De acordo
com a teoria de James-Lange (flexas vermelhas), o homem percebe o animal
ameaçador e reage com manifestações físicas (neurovegetativas). Como
consequência de tal reação física desprazerosa, ele desenvolve medo. Na teoria
Cannon-Bard (flexas azuis), o estímulo ameaçador conduz, primeiro, ao
sentimento de medo, o qual, então, causa a reação física. A teoria Cannon-Bard
sugere que “quando o indivíduo se encontra diante de um acontecimento que, de
alguma forma, o afeta”, o impulso nervoso atinge inicialmente o tálamo e aí, a
mensagem se divide. Uma parte vai para a córtex cerebral, onde origina
experiências subjetivas de medo, raiva, tristeza, alegria, etc. A outra se
dirige para o hipotálamo, o qual determina as alterações neurovegetativas
periféricas (sintomas). Levando a termo esta teoria, as reações fisiológicas e
a experiência emocional são simultâneas. A crítica essencial a teoria
Cannon-Bard é considerar a existência de um "centro" inicial (o
tálamo) para a emoção.
Em 1937, o
neuroanatomista James Papez demonstraria que a emoção não é função de centros
cerebrais específicos e sim de um circuito, envolvendo quatro estruturas
básicas, interconectadas por feixes nervosos : o hipotálamo com seus corpos
mamilares, o núcleo anterior do tálamo, o giro cingulado e o hipocampo. A este
circuito denominou-se “circuito de Papez”, que atuando harmonicamente, é
responsável pelo mecanismo de elaboração das funções centrais das emoções
(afetos), bem como de suas expressões periféricas (sintomas).
1.1.3.2.1.2.2 – Christofredo Jakob - Nota importante.
Existem
evidências em que o Circuito de Papez não seja originalmente do Neuroanatomista
JAMES PAPEZ.
Christofredo
Jakob em 1908 descreveu o cérebro visceral, que a literatura virtual
especializada e focal atribui a James Papez (1937).
O Cérebro
Visceral é um circuito que começa no hipocampo(1). As fibras eferentes dos
neurônios hipocâmpicos saem pelo trígono(2), formando parte das fibras
pós-comissurais do pilar anterior que chegam aos corpos mamilares. Dirigem-se
ao núcleo anterior do tálamo através do feixe mamilo-talâmico de Vicq D’azyr. A
seguir, incorporam-se ao fascículo do cíngulo (que é um feixe de sustância
branca no interior da circunvoluçao do cíngulo) e dirigem-se para trás para
entrar na circunvolução do hipocampo(3), completando assim o circuito. Pensa-se
que o circuito de Jakob o cerebro visceral está relacionado com o comportamento
afetivo, emocional e também com a memória recente, já que a sua lesão produz
uma incapacidade para poder repetir ordens verbais por meio da linguagem:
amnésia anterógrada.
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