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terça-feira, 6 de maio de 2014

Neurociência NEUROCIÊNCIA APLICADA CLÍNICA PSICOPEDAGÓGICA:



  Neurociência

NEUROCIÊNCIA APLICADA
CLÍNICA PSICOPEDAGÓGICA:

MAPEAMENTO CEREBRAL.
Síndromes com repercussão na deficiência intelectual, distúrbios e transtornos neuropsicológicos.

Especialista Professor César Augusto Venâncio da Silva
Mestrando

2014













Curso Modulado
Revisão Textual
PERSPECTIVAS E AVANÇOS

Especialista Professor César Augusto Venâncio da Silva Mestrando















Autismo pode ser detectado no cérebro aos seis meses de idade

NEUROCIÊNCIA APLICADA CLÍNICA PSICOPEDAGÓGICA: MAPEAMENTO CEREBRAL.
Síndromes com repercussão na deficiência intelectual, distúrbios e transtornos neuropsicológicos.

REVISÃO
TOMO I


Especialista Professor César Augusto Venâncio da Silva















15 - Mapeamento cerebral
NEUROCIÊNCIA APLICADA
CLÍNICA PSICOPEDAGÓGICA:
MAPEAMENTO CEREBRAL.
Síndromes com repercussão na deficiência intelectual, distúrbios e transtornos neuropsicológicos.
Capítulo I
Mapeamento  Cerebral














SUMÁRIO DO ENSAIO
1 - Introdução.
1.1.         - Mapeamento cerebral.
1.1.1       -  Psicopedagogia disciplina conexa.
1.1.2 - Simbologia Médica.
1.1.3 - Medicina: Interação Saúde e Educação.
1.1.3.1 - Da Psiquiatria.
1.1.3.2 - Neurociência: Psicopedagogia, Psiquiatria, Educação Especial, e o contexto da Saúde Mental.
1.1.3.2.1-  Importância da fenomenologia.
1.1.3.2.1.1 –  Consciência e Intencionalidade.
1.1.3.2.1.2 – Teoria de James-Lange.
1.1.3.2.1.2.1 – Comparação das teorias sobre as emoções de James-Lange e Cannon-Bard.
1.1.3.2.1.2.2 – Christofredo Jakob - Nota importante.


























1 - Introdução.
O mapeamento cerebral tenta relacionar a estrutura do cérebro com a sua função ou descobrir quais são as partes que nos dão certas habilidades. No mapeamento das funções cerebrais, os cientistas utilizam recursos de imagem para observarem o seu funcionamento em várias tarefas.
1.1. - Mapeamento cerebral.
O primeiro trabalho acadêmico do autor na introdução a neurociência se processou empós a especialização em Psicopedagogia na Universidade Estadual Vale do Acaraú, no Estado do Ceará, Brasil. Que versa sobre Mapeamento Cerebral. Para entendermos o que é a Psicopedagogia, com aplicabilidade de princípios da Neurociência acredito ser importante ir além da simples junção dos conhecimentos oriundos da Psicologia e da Pedagogia, da Biologia e em particular da Medicina especializada. Nos dias atuais, década 2000, ainda ocorre com bastante frequência no senso comum, à confusão em relação aos papéis dos profissionais existentes no mercado, com ênfase na Psico – logia, análise, “quiatria”.

1.1.1         -  Psicopedagogia disciplina conexa.

Disciplina conexas ou especializações contextualizadas dentro da Psicologia, é a visão que muitos detêm, ainda, isto porque, em sua própria denominação Psicopedagogia aparece “suas partes constitutivas – psicologia + pedagogia – e que oferece uma definição reducionista a seu respeito”, como nos ensina Julia Eugenia Gonçalves. Na realidade, a Psicopedagogia é um campo do conhecimento que se propõe a integrar, de modo coerente, conhecimentos e princípios de diferentes Ciências Humanas com a meta de adquirir uma ampla compreensão sobre os variados processos inerentes ao aprender humano. Enquanto área de conhecimento multidisciplinar interessa a Psicopedagogia compreender como ocorrem os processos de aprendizagem e entender as possíveis dificuldades situadas neste movimento. Para tal, faz uso da integração e síntese de vários campos do conhecimento, tais com a Psicologia, a Psicanálise, a Filosofia, a Psicologia Transpessoal, a Pedagogia, a Neurologia, entre outros(CÉSAR VENÂNCIO, 2012 – Neurociências Psicobiologia Princípios Gerais Tomo i e 2013 – Neurociência Aplicada Clínica Psicopedagógica: Introdução ao Autismo).

1.1.2 - Simbologia Médica.

O bordão ou bastão de Esculápio ou Asclépio é um símbolo antigo, relacionado com a astrologia e com a cura dos doentes através da medicina. Consiste de um bastão envolvido por uma serpente. Às vezes é confundido com o caduceu de Hermes (Mercúrio), que consiste num bastão com duas serpentes enroscadas e asas no alto. Esculápio (em latim: Aesculapius) era o deus romano da medicina e da cura. Foi herdado diretamente da mitologia grega, na qual tinha as mesmas propriedades mas um nome sutilmente diferente: Asclépio (em grego: Ἀσκληπιός, transl. Asklēpiós).

Caduceu de Asclépio ou Esculápio, o símbolo da medicina, visto aqui na bandeira da OMS.

O caduceu de Hermes é um símbolo do comércio que costuma ser confundido com o símbolo da medicina.  O caduceu ou emblema de Hermes (Mercúrio) é um bastão em torno do qual se entrelaçam duas serpentes e cuja parte superior é adornada com asas. É um antigo símbolo, cuja imagem pode ser vista na taça do rei Gudea de Lagash, 2.600 anos a.C., e sobre as tábuas de pedra denominadas, na Índia, nagakals. Esotericamente, está associado ao equilíbrio moral, ao caminho de iniciação e ao caminho de ascensão da energia kundalini.

Kundaliní (em sânscrito) é uma energia física, de natureza neurológica e manifestação sexual. O termo é feminino, deve ser sempre acentuado e com pronúncia longa no í final. Muitos por a considerarem sagrada, grafam o nome com "K" maiúsculo. O símbolo do caduceu é considerado como uma antiga representação simbólica da fisiologia da Kundalini. É o poder espiritual ou físico (dependendo da linhagem esotérica ser espiritualista ou naturalista) primordial ou energia cósmica que jaz adormecida no Múládhára Chakra, o centro de força situado próximo à base da coluna, e aos órgãos genitais. É a energia que transita entre os chakras. Deriva de uma palavra em sânscrito que significa, literalmente, "enrolada como uma cobra" ou "aquela que tem a forma de uma serpente".  É a energia do Universo em seu aspecto Purna-Shakti, total, como potencial, sendo o Prana-Shakti o aspecto biológico, ou físico, como calor, eletricidade, etc. Segundo a crença, enquanto está adormecida, assemelha-se a uma chama congelada. O "despertar" da energia divina Shakti Kundalini requer a orientação de um mestre realizado, para que o ativamento e desenvolvimento sejam apropriados e conduzam à meta suprema do Yoga que é o samádhi. É também tema de estudo no campo da psicologia onde a reputam de difícil condução com a disciplina e maturidade que são requeridas para esse intento, pois é um conceito oriental, com outros significantes, e sem paralelos com a psicologia. Não existem evidências científicas que corroborem as alegações da Kundalini.

A serpente da direita é chamada Od, que representa a vida livremente dirigida; a da esquerda Ob, vida fatal e o globo dourado no cimo Aur, que representa a luz equilibrada. Estas duas serpentes opostas figuram forças contrárias que podem se associar mas não se confundir. É frequentemente confundido com o símbolo da medicina, o bordão de Esculápio ou bastão de Asclépio(A  palavra latina cādūceus é uma adaptação do grego κηρύκειον kērukeion,termo " bastão dos heraldos", derivando do κῆρυξ kērux, termo "messengeiro, heraldo". Liddell and Scott, Greek-English Lexicon; Stuart L. Tyson, "The Caduceus", The Scientific Monthly, 34.6, (1932:492-98) p. 493; Estudos de símbolos e notas, "Nos tempos modernos a figura do caduceu é representada como símbolo do comércio, onde Mércurio é o deus do comércio". M. Oldfield Howey, The Encircled Serpent: A Study of Serpent Symbolism in All Countries And Ages, New York, 1955, p77).

1.1.3 - Medicina: Interação Saúde e Educação.

A medicina é uma das muitas áreas do conhecimento ligada à manutenção e restauração da saúde. Ela trabalha, num sentido amplo, com a prevenção e cura das doenças humanas e animais num contexto médico.

1.1.3.1 - Da Psiquiatria.

Psiquiatria é uma especialidade da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das diferentes formas de sofrimentos mentais, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, com manifestações psicológicas severas. São exemplos: a depressão, o transtorno bipolar, a esquizofrenia, a demência e os transtornos de ansiedade.

Psiquiatras são médicos especializados no cuidado da saúde mental por meio do tratamento da doença mental, através do modelo biomédico de abordagem das perturbações psíquicas, incluindo o uso de medicamentos. Os psiquiatras e os médicos assistentes podem realizar exames físicos, solicitar e interpretar análises laboratoriais, eletroencefalograma (EEG) e exames como Tomografia computadorizada (CT), Ressonância magnética (RM) e PET (Tomografia por emissão de pósitrons). O profissional tem que avaliar o paciente em busca de problemas médicos que possam ser a causa da perturbação mental.

1.1.3.2 - Neurociência: Psicopedagogia, Psiquiatria, Educação Especial, e o contexto da Saúde Mental.

Ao longo da história da psiquiatria, observa-se uma oscilação entre uma perspectiva biológica e outra mentalista. A perspectiva biológica enfatiza explicações calcadas no sistema nervoso central e intervenções psicofarmacológicas. Por outro lado, a perspectiva mentalista prioriza a experiência subjetiva e intervenções através da psicoterapia. Embora o embate entre estas duas perspectivas esteja longe de ser resolvido, o presente livro, e-book defende através de seu autor uma posição intermediária, privilegiando um equilíbrio e ntre estas duas perspectivas.

Vejamos no curso doutrinário o pensamento de autores dualistas, que propõem uma interação entre mente e cérebro, assim como de autores monistas, que consideram o cérebro como gerador dos processos mentais. Ao longo dos últimos anos, base 1990-2014, discute-se, a crítica que o conhecimento de natureza subjetiva, produzido pela psicanálise, vem sofrendo por parte de alguns neurocientistas. No projeto do autor, para um Doutorado em Neurociência – DOUTORADO EM MEDICINA – se busca considerar o conceito de “complementaridade”, tomando como base as teses-teorias dos físicos quânticos Heisenberg e Bohr, como uma possível forma de solucionar o impasse epistemológico entre psicanálise e neurociência.

BEZERRA JR. (1994) descreve que no campo da saúde mental tem-se, no ano de 1989, dois marcos importantes que ajudam a compreender o processo de resistência à psiquiatria tradicional: a intervenção realizada pela Prefeitura de Santos na Casa de Saúde Anchieta em Santos/SP - único hospital psiquiátrico privado da região e que representava o universo manicomial - e a apresentação no Congresso Nacional do Projeto de lei No 3.657/89, de autoria do deputado Paulo Delgado, que previa a reestruturação da assistência psiquiátrica brasileira com a substituição progressiva dos manicômios por “novos dispositivos de tratamento e acolhimento”.

A psiquiatria traz ao longo da sua história alguns marcos que nortearam o atendimento ao doente mental, como por exemplo, a revolução de Pinel, a introdução dos psicofármacos, o uso da psicoterapia, o desenvolvimento dos recursos terapêuticos e de diagnóstico, entre outros. Atualmente estamos vivendo o período de mudanças ideológicas, estruturais e políticas nas ações de saúde mental, mais especificamente em relação à institucionalização da assistência.

Para ilustrar alguns aspectos do debate apontado(Item 1.1.3.2)sobre as dicotomias entre mente e cérebro, psicologia e neurociência, significado e causalidade, apontamos algumas projeções e discussões acadêmicas de lavra de renomados autores.

Vamos preambular a discussão com o pensador D. H. Brendel, do Departamento de psiquiatria da Universidade de Harvard, notorio pesquisador que fez publicar artigo(Brendel, 2000) em que critica a posição materialista radical do filósofo da ciência Paul Churchland, para quem o avanço das neurociências tende a diminuir a importância da fenomenologia, podendo, mesmo, eliminá-la no futuro.

O Mestre DH BRENDEL pontua, em contra posição, alegando que, mesmo nos casos em que a fisiopatologia de alguns transtornos psiquiátricos é mais bem conhecida, como as demências, ainda assim a Psicologia não pode ser dispensada. Por isso, propõe a elaboração de construtos teóricos pluralistas, que integrem, pragmaticamente, conceitos de natureza diversa, para melhor enfrentar os desafios clínicos. Por outro lado, Brendel faz restrições à referida posição de Jasper, para quem estados psicológicos significativos seriam destituídos de poder causal. Em lugar desse paralelismo psicofísico(Ver textos interpretativos mais a frente, no livro)Brendel defende uma posição interacionista, dado que a causalidade é essencial para o conceito de Medicina Psicossomática. Brendel (2000) se alinha com o pensamento do renomado eletrofisiologista John Eccles, que, com o filósofo Karl Popper, publicou um livro clássico sobre a questão mente-cérebro (Popper e Eccles, 1977). A eles alinha-se outro neurocientista, Roger Sperry, célebre pelos trabalhos sobre o cérebro dividido (split brain). Uma vez indagado se admitia o fenômeno parapsicológico da psicocinese, Sperry respondeu que sim, pois acreditava que, constantemente, a mente movia a matéria em seu próprio cérebro. Esta perspectiva dualista, contudo, é criticada por neurocientistas igualmente respeitados, como António Damásio (Damásio, 2003), que repudia Descartes e vai buscar asilo no monismo de Espinosa.

Assim, podemos sugerir que a Neurociência complementa outros seguimentos multidisciplinar na busca de dados interativos visando a afirmação do conhecimento científico. Neurociência e Psicopedagogia se alinha na busca de identificação de quadros que podem operacionalizar na busca da identificação de “distúrbios e trantornos no processo de cognição” (CESAR VENÂNCIO, 2012)

O presente livro busca expor conexões de conhecimentos, justifica-se pois a conceituação dos tópicos que seguem nos próximos itens.

1.1.3.2.1-  Importância da fenomenologia.

Fenomenologia(Em grego phainesthai - aquilo que se apresenta ou que se mostra - e logos - explicação, estudo) afirma a importância dos fenômenos da consciência, os quais devem ser estudados em si mesmos – tudo que podemos saber do mundo resume-se a esses fenômenos, a esses objetos ideais que existem na mente, cada um designado por uma palavra que representa a sua essência, sua "significação". Os objetos da Fenomenologia são dados absolutos apreendidos em intuição pura, com o propósito de descobrir estruturas essenciais dos atos (noesis) e as entidades objetivas que correspondem a elas (noema).

1.1.3.2.1.1 –  Consciência e Intencionalidade.


Franz Brentano: mestre de Husserl.
Vivência (Erlebnis) é todo o ato psíquico; a Fenomenologia, ao envolver o estudo de todas as vivências, tem que englobar o estudo dos objetos das vivências, porque as vivências são intencionais e é nelas essencial a referência a um objeto. A consciência é caracterizada pela intencionalidade, porque ela é sempre a consciência de alguma coisa. Essa intencionalidade é a essência da consciência que é representada pelo significado, o nome pelo qual a consciência se dirige a cada objeto.  Em “A Psicologia de um ponto de vista empírico"- 1874 - Franz Brentano afirma: "Podemos assim definir os fenômenos psíquicos dizendo que eles são aqueles fenômenos os quais, precisamente por serem intencionais, contêm neles próprios um objeto". Isto equivale afirmar, como Husserl, que os objetos dos fenômenos psíquicos independem da existência de sua réplica exata no mundo real porque contêm o próprio objeto. A descrição de atos mentais, assim, envolve a descrição de seus objetos, mas somente como fenômenos e sem assumir ou afirmar sua existência no mundo empírico. O objeto não precisa de fato existir. Foi um uso novo do termo "intencionalidade" que antes se aplicava apenas ao direcionamento da vontade.
Carl Stumpf.

Foi de grande importância e de grande impacto o pensamento fenomenológico na psicologia, na qual Franz Brentano e o alemão Carl Stumpf haviam preparado o terreno, e na qual o psicólogo americano William James, a escola de Würzburg, e os psicólogos da Gestalt haviam trabalhado ao longo de linhas paralelas. Este método, e as adaptações desse método, tem sido usados para estudar diferentes emoções, patologias, coisas tais quais separação, solidão, solidariedade, as experiências artística e religiosa, o silêncio e a fala, percepção e o comportamento, e assim por diante.

William James.

Obviamente requer um estudo mais crítico(juízo de valor), porém talves podemos sugerir a influência não deliberada de William James na Neuroteologia. Tomando como base uma compilação de palestras de James sobre “Teologia Natural” resultou no livro Variedades da Experiência Religiosa, publicado em 1902. Essa obra se ocupava de uma discussão sobre o lugar ocupado pelo sentimento religioso, frente ao crescente materialismo científico de sua época. O interesse de James não estava em religiões organizadas ou instituições, mas nos sentimentos e atos que cada um experienciava em sua relação com o que considerava divino. A obra aborda a singularidade das experiências místicas, mencionando que seu significado era pessoal e dificilmente transferível através de linguagem.
Para James, a experiência religiosa poderia levar a um estado de satisfação e contentamento, além de promover uma perspectiva mais alegre e otimista do mundo e do futuro. Por essa razão, considerou que o sentimento religioso pode ser útil, sendo mais uma dimensão da experiência humana. James começou a desenvolver nessa obra o sentido de verdade utilitária que seria exposto em mais detalhes em Pragmatismo. A experiência religiosa ou mística seria verdadeira enquanto ferramenta útil para determinados fins. Assim, o autor defende que a religião é um fenômeno real, no sentido que seu simbolismo evoca sentimentos e ações concretas, que não deveriam ser ignorados pela ciência.

Desde Platão, ouvimos dizer que quanto mais calmos estivermos, mais corretas serão nossas ações. Neste princípio está implícita a idéia de que a ação racional não concebe interferências da emoção, que são antes de tudo perturbadoras. Assim, a concepção dominante (platônica), nos diz que, frente a um problema, é melhor tomar decisões baseadas na razão do que deixar que a emoção interfira. São platônicos, por exemplo, os adeptos de uma não discussão agora sobre a questão da redução da maioridade penal, pois o desejo de "fazer justiça a qualquer preço", evocado por tempos de violência exacerbada e revolta contra os adolescentes que cometem crimes hediondos, só interferiria no nosso julgamento racional (“correto”) da questão.

William James, simplificadamente, concebe que esta concepção subverte a visão do senso comum segundo a qual a reação a um estímulo emocional (aumento do batimento do coração ou a expressão de um sorriso) ocorre após a pessoa tomar consciência da emoção que está sentindo. Ao contrário, para James e Lange, primeiro reagimos (reações fisiológicas e comportamentais) ao estímulo emocional; o sentimento da emoção se dá porque tomamos consciência dessas respostas emocionais. Assim, a consciência de uma emoção ocorre após essas reações emocionais terem ocorrido. Em outras palavras, nós não sorrimos porque estamos alegres, mas estamos alegres porque sorrimos!

Influência na Neurociência pode ser sentida na sua obra, Willian James propôs uma teoria das emoções ao mesmo tempo que o fisiologista dinamarquês Carl Lange. Ambos trabalharam independentemente e, de acordo com esta teoria, conhecida por teoria emocional de James-Lange, os sentimentos, isto é, as sensações subjetivas das emoções são um produto do reconhecimento do cérebro cortical das demais reações fisiológicas e comportamentais desencadeadas no corpo por determinado evento ambiental (o estímulo emocional). De modo resumido, esta idéia inverte a perspectiva do senso comum segundo a qual a reação a um estímulo emocional (aumento do batimento do coração ou a expressão de um sorriso) ocorre após a pessoa tomar consciência da emoção que está sentindo. Ao contrário, para James e Carl Lange, primeiro reagimos (reações fisiológicas e comportamentais) ao estímulo emocional; o sentimento da emoção se dá porque tomamos consciência dessas respostas emocionais. Assim, a consciência de uma emoção ocorre após essas reações emocionais terem ocorrido. Em outras palavras, nós não sorrimos porque estamos alegres, mas estamos alegres porque sorrimos!

Antônio Damásio coloca no corpo a condição primeira para a ação correta, uma vez que é para os “estados do corpo” que se direciona o sentimento. A emoção, produzida por um elemento externo – “um sorriso, uma melodia, um aroma”, abre assim uma “janela” pela qual o sentimento pode olhar para o próprio corpo e gerar ações mais acertadas, uma vez que estas são orientadas pela experiência. Está absolutamente clara a influência sobre as idéias de Damásio da teoria das emoções proposta conjuntamente pelo psicólogo americano William James.

O argumento de Damásio está longe de obter o consenso das evidências psicobiológicas, aquelas extraídas dos estudos do comportamento animal e de suas relações com o funcionamento cerebral. Por exemplo, a agressão, um comportamento que em seres humanos pode ser motivado por raiva, é muito mais eficaz quando acompanhada de certa frieza emocional do que quando motivada por fortes emoções. Não raro, ouvimos relatos de assassinos psicopatas que, ao contarem seus crimes demonstram frieza e ausência de qualquer emoção (Longe das implicações éticas inerentes ao comportamento criminoso de um psicopata e independentemente de ser para o bem ou para o mau, em termos biológicos, o comportamento é tanto mais eficaz quanto mais adequado ao alcance de seus objetivos. Assim, um comportamento, não reconhece razões éticas - um valor compartilhado, mas apenas a sua função exclusiva para o indivíduo que se comporta).

1.1.3.2.1.2 – Teoria de James-Lange.

No final do século passado, William James propôs que um indivíduo, após perceber um estímulo que, de alguma forma o afeta, sofre alterações fisiológicas perturbadoras, como palpitações, falta de ar, angústia, etc. E é precisamente o reconhecimento desses sintomas (pelo cérebro) que gera a emoção. Em outras palavras, as sensações físicas são a emoção. Em 1929, Walter Cannon refutou a teoria de James e apresentou uma outra, a qual, por sua vez, foi pouco depois modificada por Phillip Bard.

1.1.3.2.1.2.1 – Comparação das teorias sobre as emoções de James-Lange e Cannon-Bard.

De acordo com a teoria de James-Lange (flexas vermelhas), o homem percebe o animal ameaçador e reage com manifestações físicas (neurovegetativas). Como consequência de tal reação física desprazerosa, ele desenvolve medo. Na teoria Cannon-Bard (flexas azuis), o estímulo ameaçador conduz, primeiro, ao sentimento de medo, o qual, então, causa a reação física. A teoria Cannon-Bard sugere que “quando o indivíduo se encontra diante de um acontecimento que, de alguma forma, o afeta”, o impulso nervoso atinge inicialmente o tálamo e aí, a mensagem se divide. Uma parte vai para a córtex cerebral, onde origina experiências subjetivas de medo, raiva, tristeza, alegria, etc. A outra se dirige para o hipotálamo, o qual determina as alterações neurovegetativas periféricas (sintomas). Levando a termo esta teoria, as reações fisiológicas e a experiência emocional são simultâneas. A crítica essencial a teoria Cannon-Bard é considerar a existência de um "centro" inicial (o tálamo) para a emoção.

Em 1937, o neuroanatomista James Papez demonstraria que a emoção não é função de centros cerebrais específicos e sim de um circuito, envolvendo quatro estruturas básicas, interconectadas por feixes nervosos : o hipotálamo com seus corpos mamilares, o núcleo anterior do tálamo, o giro cingulado e o hipocampo. A este circuito denominou-se “circuito de Papez”, que atuando harmonicamente, é responsável pelo mecanismo de elaboração das funções centrais das emoções (afetos), bem como de suas expressões periféricas (sintomas).

1.1.3.2.1.2.2 – Christofredo Jakob - Nota importante.

Existem evidências em que o Circuito de Papez não seja originalmente do Neuroanatomista JAMES PAPEZ.

Christofredo Jakob em 1908 descreveu o cérebro visceral, que a literatura virtual especializada e focal atribui a James Papez (1937).

O Cérebro Visceral é um circuito que começa no hipocampo(1). As fibras eferentes dos neurônios hipocâmpicos saem pelo trígono(2), formando parte das fibras pós-comissurais do pilar anterior que chegam aos corpos mamilares. Dirigem-se ao núcleo anterior do tálamo através do feixe mamilo-talâmico de Vicq D’azyr. A seguir, incorporam-se ao fascículo do cíngulo (que é um feixe de sustância branca no interior da circunvoluçao do cíngulo) e dirigem-se para trás para entrar na circunvolução do hipocampo(3), completando assim o circuito. Pensa-se que o circuito de Jakob o cerebro visceral está relacionado com o comportamento afetivo, emocional e também com a memória recente, já que a sua lesão produz uma incapacidade para poder repetir ordens verbais por meio da linguagem: amnésia anterógrada.

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